Armas de fogo: proteção ou risco?
Este guia procura responder a “tudo aquilo que você queria saber sobre as vantagens e
desvantagens do uso de armas de fogo para autodefesa e não sabia a quem perguntar”. São respostas a cerca de 100 dúvidas, certezas e críticas que nos têm sido dirigidas em nossas andanças pelo país, convidados a falar e a debater com diferentes tipos de auditórios: estudantes, advogados, empresários, donas de casa, jornalistas, trabalhadores, religiosos, militares, advogados, policiais, caçadores, atiradores, colecionadores etc.
Excluindo-se os criminosos, o objetivo de quem se arma, e de quem quer desarmar, é um só: segurança. Ambas atitudes são respeitáveis porque buscam reduzir a violência e aumentar a segurança. Mas quem está certo?
Foram seis anos de pesquisas, viagens aos países citados como “exemplos” na redução da violência armada, e um esforço de compreensão do que deu certo lá fora e do que tem dado errado entre nós. Aqui o leitor vai encontrar uma confrontação entre os prós e os contras o uso de arma para defesa pessoal.
São informações colhidas nos principais centros de pesquisa do mundo, acrescidas dos poucos, mas relevantes, estudos realizados no Brasil. Muitos dos dados só agora chegam ao conhecimento da opinião pública brasileira, restritos que estavam aos centros acadêmicos. O rigor na seleção dessas informações e avaliações, e o respeito às opiniões contrárias, foram preocupações constantes dos autores, que apuraram a idoneidade de cada fonte consultada, sempre citadas.
Todo esse trabalho de reunir o que há de mais sério e atualizado sobre o tema, no Brasil e em outros países, talvez diminua a imprecisão com que se citam estatísticas entre nós, contra ou a favor do desarmamento. Quanto às análises, mesmo quando incorporam a opinião dos autores, apresentam com integridade as posições divergentes, num tema altamente controverso, para que o leitor possa tirar as suas próprias conclusões.
Os brasileiros, acossados pela violência crescente, manifestam uma enorme curiosidade, e até mesmo angústia, de se informar sobre um assunto que até pouco tempo atrás era considerado tabu entre nós: o obscuro e secretíssimo universo das armas de fogo. O comércio ilegal de armas e munições garante altos lucros a interesses que tudo fazem para que essa atividade continue oculta do público. Sobre os caminhos e descaminhos das armas, muito se fala e pouco se sabe.
Só agora está sendo lançado o primeiro levantamento sobre o tema, Brasil: as Armas e as Vítimas 2, cujos pontos mais relevantes resumimos aqui. A pesquisa trata de responder a perguntas básicas, como quantas armas circulam no país, quem as tem, quantas são legais e quantas ilegais, qual o seu impacto na economia e na saúde pública.
O quadro revelado é espantoso: o país tem mais de 17 milhões de armas de fogo, 90% delas nas mãos de civis, quando a média internacional é de 60%. Pior, metade das armas é ilícita, isto é, o governo não sabe quais são e quem as possui. Como fiscalizá-las assim? Como controlar o crime?








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