Mais dois mil paramilitares são desmobilizados na Colômbia

Cerca de dois mil paramilitares colombianos de direita, incluindo um líder considerado um dos maiores traficantes de drogas pelos Estados Unidos, entregaram suas armas na maior cerimônia de desmobilização nos últimos anos no país. Esta foi a segunda grande desmobilização em menos de seis meses. Todos os soldados desmobilizados pertenciam à facção Bloco Central Bolívar das Forças de Autodefesa Unidas da Colômbia (AUC).


Em troca das armas, os combatentes terão as sentenças por crimes que cometeram reduzidas, além de receber um salário de US$ 180 por mês do governo. Muitos foram perdoados pelos seus crimes e trabalham nas oficinas de treinamento profissionalizante oferecidas aos ex-combatentes.


Os combatentes entregaram mais de 1.200 fuzis. A operação foi realizada em uma fazenda na região nordeste do país. Foram entregues também armas de mão, granadas, foguetes e armas usadas em helicópteros. Durante a cerimônia, o comandante Carlos Jimenez, conhecido como "macaco", pediu perdão pelo mal que causou à população. Jimenez é um dos traficantes mais procurados pelos governo norte-americano.


Acordo de paz


A desmobilização e o desarmamento das facções paramilitares fazem parte de um acordo de paz proposto pelo presidente colombiano Álvaro Uribe. O processo começou em 2003 e o objetivo é desarmar 20 mil combatentes até 2006. Já foram desarmados 13 mil soldados.


Organizações de direitos humanos acusam o plano do governo de deixar impunes homens responsáveis por massacres de civis mas o presidente Uribe afirma que o acordo já evitou a morte de mais de seis mil pessoas em dois anos.


O exército paramilitar de direita surgiu nos anos 80 como uma força ilegal de combate aos rebeldes de esquerda que faziam oposição ao governo há mais de 40 anos. Os paramilitares foram responsáveis pela morte de milhares de civis acusados de serem simpatizantes dos grupos rebeldes.


O porta-voz das AUC, Ernesto Baez, afirmou em discurso durante a cerimônia que as forças de autodefesas não vão desaparecer da Colômbia, vão se tornar uma força política. Baez reiterou seu pedido ao governo de permitir que os paramilitares tenham representação no Congresso.


O maior grupo rebelde da Colômbia, as Forças Armadas Revoluncionárias Colombianas (Farc), se recusaram a participar das negociações, mas um grupo menor, o Exército de Libertação Nacional (ELN), concordou em realizar encontros preliminares na direção de um acordo de paz com o governo de Uribe. Em 2002, o então presidente Andrés Pastrana tentou fechar um acordo com a ELN mas a tentativa foi frustrada.


Fontes: Associated Press e El Tiempo


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