Unesco: 5.563 vidas poupadas pelo desarmamento no Brasil em 2004
O Brasil teve 5.563 mortes a menos por armas de fogo em 2004. É o que revela o relatório "Vidas poupadas – O Impacto do Desarmamento no Brasil", produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a partir de análise dos dados da pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde no dia 2.
O resultado representa uma redução de 15,4% das mortes por estes instrumentos, a primeira em 13 anos. O estudo teve como base o Subsistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM). Das 27 unidades da federação, 21 apresentaram queda no índice de mortalidade. Nos estados de São Paulo e da Paraíba, esta diminuição foi de mais de 30%.
Usando o modelo de análise das séries temporais para verificar a diferença entre o número de mortes registradas e o daquelas previstas para 2004, o estudo avaliou o impacto das medidas de controle de armas adotadas pelo Estatuto do Desarmamento (sancionado em dezembro de 2003) e da campanha de entrega voluntária de armas, iniciada nacionalmente em julho de 2004.
Para tanto, a equipe técnica da Unesco no Brasil – em parceria com as equipes da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, e do Ministério da Justiça – levou em consideração a tendência semestral de óbitos por armas de fogo de 1999 a 2003 cada unidade da federação.
No primeiro semestre, com a vigência do Estatuto do Desarmamento, houve uma queda de 12,5% de mortes entre o número registrado e o esperado. Já no segundo semestre, quando a campanha nacional de desarmamento foi implementada, este índice passou a 18,4%.
Outras pesquisas
Um levantamento feito pelos Ministérios da Justiça e da Saúde no início deste ano já havia revelado uma tendência na redução do número de internações hospitalares causadas por armas de fogo após o início da campanha de desarmamento no Brasil. Segundo o estudo, o número de vítimas de armas de fogo internadas caiu de 180 por mês no Rio de Janeiro, para 160 e, de 475 para 442 por mês, em São Paulo, no mesmo período.
A pesquisa "Brasil: as armas e as vítimas", realizada pelo Intituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com o Viva Rio mostra que existiam no Brasil, antes da campanha de desarmamento, cerca de 17 milhões de armas de fogo. Dessas, 15 milhões estão nas mãos da população civil e quase 9 milhões são ilegais.
Íntegra do estudo "Vidas Poupadas"
Íntegra da pesquisa do Ministério da Saúde
Íntegra da pesquisa "Brasil: as armas e as vítimas"
Íntegra da pesquisa da Unesco "Mortes matadas por armas de fogo no Brasil de 1979 a 2003"







