Novas penas serão votadas antes: entrevista com Moroni Torgan
Se depender da vontade do presidente da Comissão de Segurança da Câmara, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), a votação do Estatuto do Desarmamento será fatiada. O projeto está na comissão há uma semana e deve sofrer mudanças drásticas nas mãos de Torgan e da relatora da proposta, Laura Carneiro (PFL-RJ).
CORREIO BRAZILIENSE — O que vai acontecer com o Estatuto do Desarmamento?
MORONI TORGAN — A minha preocupação é tirar as armas das mãos dos bandidos. Por isso, defendo uma punição adequada para traficantes. Hoje, a pena é de apenas dois anos, mas deveria ser 10 para o tráfico de armas leves e 15 para pesadas. Essa questão é unânime na Câmara e por isso deve ser votada antes.
CORREIO — O senhor pretende dividir o projeto antes de votá-lo?
TORGAN — Exatamente. O aumento de pena para os traficantes seria aprovado em dois dias pelos deputados, mas as outras coisas são muito polêmicas. Tem gente que quer proibir até a venda de armas.
CORREIO — Quais são os exageros?
TORGAN — Acho errado restringir a posse de armas em casa. O tempo de defesa de quem está em casa é maior, dá para atirar para o alto, assustar o bandido. Mas, que fique claro, sou contra carregar uma arma na cintura. Não dá tempo de reagir com segurança a um assalto na rua.
CORREIO — O que o senhor acha da proibição da vendas de armas?
TORGAN — Sou contra. Mas concordo que não pode ficar do jeito que está. Hoje, com dinheiro, a pessoa sai da loja armada com registro e nota fiscal. Acho que poderíamos exigir teste psicotécnico, antecedentes e um curso para aprender a manusear uma arma antes de vendê-la.
CORREIO — E o porte, deve ser proibido como está no projeto?
TORGAN — Acho que o porte deve ser permitido para pessoas comprovadamente em risco. Quem sabe podemos exigir uma declaração da Justiça para permitir ao interessado carregar uma arma.







