Preocupação com o lobby: entrevista com Antônio Rangel Bandeira


O coordenador de Controle de Armas do Viva Rio, o sociólogo Antônio Rangel Bandeira, está preocupado com a força do lobby das indústrias de armas e munições sobre os parlamentares. Rangel acredita que o estatuto corre o risco de ficar prejudicado se o Congresso ceder às pressões.



CORREIO BRAZILIENSE — O que o senhor acha do Estatuto do Desarmamento?

ANTÔNIO RANGEL — Ainda está longe de ser uma proposta satisfatória. Tem graves omissões e fez concessões indevidas ao lobby das armas. Mas não podemos deixar de enfatizar que é um avanço, ainda mais se comparado com a legislação vigente, que é um escândalo de permissividade.



CORREIO — Quais são essas omissões ?

RANGEL — Não existe no texto nenhuma palavra sobre os intermediários. Isso é um absurdo. Os autores do projeto esqueceram de determinar um seguro para terceiros. Para comprar carro existe seguro obrigatório; para armas, não. É uma incoerência.



CORREIO — E as tais concessões feitas?

RANGEL — Na maior parte dos países do mundo, os atiradores esportivos têm que guardar as armas no cofre do clube de tiro. O Estatuto permite o transporte da arma. Um problema ainda mais grave foi o adiamento do referendo para verificar se a população aceita a proibição da venda de armas. Era para ser agora e não em outubro de 2005. Não dá para adiar a solução da matança em dois anos.



CORREIO — E como a população interessada em proibir o uso de armas pode ajudar?

RANGEL — A melhor forma da sociedade agir é com a pressão da opinião pública. A influência do lobby é muito maior do que parece. Existem 76 lobistas na Câmara conversando diariamente com os deputados. Sugiro a quem é contra o uso de armas que ligue para os deputados e mande seu recado.