Evento anti-armas marca início da contagem regressiva para Conferência da ONU sobre Armas Pequenas em junho

26 de março de 2006 – Evento anti-armas realizado simultaneamente em diversas partes do mundo marcou o início da contagem regressiva de 100 dias para a Conferência de Revisão do Programa de Ação da ONU sobre Armas Pequenas, que será realizado entre junho e julho na sede da ONU, <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />em Nova York. O objetivo da mobilização é exigir a criação de um tratado global que regule o comércio de armas de fogo entre países.


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Organizada pela Oxfam, Anistia Internacional e Rede de Ação Internacional sobre Armas Pequenas (Iansa), a campanha Control Arms é uma reação à falta de controle sobre o comércio e a utilização de armas de fogo em todo o mundo.


 


As ações aconteceram na quinta-feira, 16, em Bangladesh, Brasil, Burundi, Canadá, Alemanha, Gana, Haiti, Índia, Macedônia, México, Holanda, Nova Zelândia, Nigéria, Peru, Senegal, Somália, África do Sul, Espanha, Sri Lanka. Na Espanha, a Oxfam organizou o Festival Actúa com exibição de filmes de curta-metragem que tratam do tema da violência abordando problemas como insegurança, conflitos armados e populações vulneráveis.


 


“Cerca de 100 mil pessoas morrerão vítimas de armas de fogo até a realização da conferência da ONU e muitas outras serão feridas ou vão sofrer de alguma forma com a violência armada. Vamos hoje pedir aos governos de todo mundo que façam de tudo para evitar que armas parem em mãos erradas”, disse Rebecca Peters, Diretora da Rede Internacional de Ação da Iansa.


 


“Um Milhão de Rostos”


 


No mesmo dia, foi lançada a campanha “100 Dias de Ação” que pretende recolher até o dia 16 de junho as assinaturas que faltam para completar o abaixo-assinado "Um Milhão de Rostos", com fotos de pessoas que lutam para conscientizar governos de todo o mundo sobre a importância do controle do comércio de armas. Até o momento, os organizadores coletaram cerca de 750 mil fotos.


 


A Anistia Internacional divulgou ainda um relatório sobre monitoramento e avaliação dos embargos já em andamento contra o comércio internacional de armas. Segundo o Conselho de Segurança da ONU, todos as 13 leis anti-armas aprovadas na última década têm sido constantemente violadas. E apesar da entidade denunciar sistematicamente os casos em relatórios recentes, pouco tem sido feito para acabar com a situação. O documento pede que os embargos sejam reforçados para evitar que revólveres e fuzis continuem abastecendo governos e milícias que cometem abusos contra os direitos humanos ao redor do mundo.


 


41 pessoas morrem a cada hora


 


No evento em Londres, os manifestantes tomaram banho numa banheira de sangue falso em frente ao Parlamento. Em Glasgow, na Escócia, parentes de vítimas mortas por armas de fogo falaram acompanhados de 41 manifestantes que representavam as 41 pessoas que morrem a cada 1 hora vítimas de armas de fogo no mundo.


 


“A campanha é importantíssima porque chama atenção para o número altíssimo de mortes”, disse o representante da família Grimason, em Glasgow, que perdeu seu filho de dois anos, Alistair, atingido por uma arma de fogo.


 


A campanha Control Arms propõe a criação urgente de um Tratado Internacional de Armas que controle a fabricação e comércio no mundo. Somente nos últimos dois anos, mais de 45 países aderiram ao documento.


 


Estatísticas


 


De acordo com os organizadores da campanha, existem mais de 600 milhões de armas pequenas em circulação no mundo, cerca de 60% delas nas mãos de civis. Por ano, são produzidas mais oito milhões de armas que matam mais de 500 mil pessoas - uma vítima a cada minuto.


 


Abaixo, mais números sobre comércio e produção de armas no mundo.




• A cada ano, são produzidos 8 milhões de armas de pequeno porte.



• A cada ano, 16 bilhões de unidades de munição são produzidos: são mais de duas balas para cada homem, mulher e criança do planeta.



• Há 639 milhões de armas de pequeno porte no mundo: uma para cada 10 pessoas.



• As armas são produzidas por mais de 1.000 empresas, em pelo menos 98 países.



• Cerca de 60% das armas de pequeno porte estão nas mãos de civis.



• Um terço dos países gasta mais em armamentos do que em serviços de saúde.




• Em média, os países da África, Ásia, Oriente Médio e América Latina gastam US$ 22 bilhões por ano em armamentos.



Fontes: Iansa, BBC, Anistia Internacional, Desarme.org, Dossiê Vidas Despedaçadas


Para saber mais: O que são armas leves?


 


Site oficial da campanha Control Arms (em inglês e português).


Relatório sobre embargos violados entregue na ONU pela Anistia Internacional (em inglês).