Questão de tempo: Decifrando as causas do massacre em Zacatecoluca

1 de fevereiro de 2006 – Há alguns dias, os principais jornais e meios de comunicação de El Salvador anunciaram o assassinato de sete pessoas durante partida de futebol <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />em Penitente Abajo, município de Zacatecoluca. O crime, no entanto, é diferente de outros casos de violência ocorridos nos últimos anos por três motivos: primeiro, porque aconteceu num local público freqüentado por dezenas de pessoas que estavam ali para se divertir; segundo, porque quase todas as vítimas eram jogadores de futebol de até 25 anos; e terceiro, porque os criminosos obrigaram 47 torcedores a se deitar no campo antes de escolher suas vítimas. Finalmente, a polícia afirmou no dia seguinte, após ouvir testemunhas, que os assassinos eram integrantes da Mara 18 do mesmo município.


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O quadro de maneira geral é assustador. É necessário perguntar de imediato como pode acontecer um caso como esse num local criado para recreação e divertimento da população? Para responder melhor a essa pergunta é preciso conhecer a história recente de Zacatecoluca e qual o perfil atual deste município.


 


Zacatecoluca tem registrado algumas das taxas mais altas de violência de El Salvador nos últimos cinco anos. Em 2004, por exemplo, o município teve o sexto maior índice de homicídios do país (91.1 para cada 100 mil pessoas). Além disso, o Instituto Médico Legal já havia alertado que Penitente Abajo é uma das regiões mais perigosas de todo o país devido aos freqüentes casos de homicídios e outras atividades criminosas.


 


Por outro lado, apesar de haver registros em Zacatecoluca de ações de gangues como a Mara 18, sua presença na região não é tão forte como em outras áreas do país. A polícia, entretanto, diz que os casos de violência envolvendo grupos armados têm aumentado nos últimos meses devido a diversas formas de extorsão.


 


A polícia de Zacatecoluca é considerada melhor e mais bem estruturada do que em outros municípios com 160 policiais para uma população total de cerca de 60 mil habitantes (a média é de 1 policial para cada 375 pessoas). Segundo dados de 2004, a polícia local registrou média mensal de 12 prisões de adolescentes e 15 apreensões de armas de fogo. Podemos então dizer, de forma resumida, que Zacatecoluca tem sido um município tradicionalmente violento.


 


Por conta disso, as organizações que atuam lá acabam tendo um conhecimento razoável de como funciona a violência no país a partir da produção de diversos mapas de risco e diagnósticos, muitos dos quais usados pela polícia para planejamento de ações de repressão. No entanto, parece que todas as ações realizadas até agora não foram suficientes para reduzir as taxas de violência no município.


 


Ações concretas


 


Há três anos, um grupo de instituições locais preocupadas com a escalada da violência se reuniu para tentar responder algumas das perguntas formuladas anteriormente. A conclusão foi que, além das intervenções necessárias após os delitos (investigação, prisões e etc), faz falta uma estratégia integral de prevenção. Foi criado então o Comitê Interinstitucional para Prevenção da Violência, coordenado pela prefeitura local, com a participação de instituições governamentais, não-governamentais e sociedade civil organizada. Até o momento, o comitê avançou bastante no processo de coordenação e diagnóstico, e já começa a delinear algumas ações concretas. 


 


Zacatecoluca é o exemplo vivo de um município violento que não executou ações locais adequadas para intervir num fenômeno. O resultado é que com o passar do tempo a violência ganhou raízes mais profundas dificultando cada vez mais sua erradicação. Quando a violência alcança tais níveis, onde nem os espaços públicos de diversão são garantia de segurança, é sinal de que é necessário repensar outras estratégias de intervenção. Uma delas é apostar mais decididamente pela prevenção, e assim determinar uma forma mais efetiva de combater a violência na região.


 


* Marlon Carranza é Coordenador do Projeto COAV Cidades em El Salvador e pesquisador do Instituto Universitário de Opinião Pública (IUDOP) e da Fundação de Estudos Para Aplicação do Direito (FESPAD)


 


Para saber mais: Projeto COAV Cidades em Zacatecoluca


 


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