Editorial do jornal O Globo defende projetos de educação para evitar envolvimento de jovens em crimes e diminuir violência no
13 de dezembro de 2005 - Um dos aspectos mais chocantes no episódio de horror do ataque ao ônibus 350, em Brás de Pina, foi a participação de uma menina de 13 anos. Explicando que o objetivo era matar todos queimados, ela narrou os acontecimentos aos policiais como se fosse coisa corriqueira.
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São assustadoras as implicações da presença de uma adolescente nesse ato de barbárie, que pode ser visto como um paroxismo no processo gradual e contínuo de deterioração da segurança pública no Rio de Janeiro. Embora esteja longe de ser novidade que o crime está recrutando menores de idade, está aqui mais uma comprovação de que a criminalidade não somente é transmitida entre as gerações como ganha características cada vez mais intensas de selvageria.
Está fora de discussão que o problema de proporcionar um mínimo de tranqüilidade à população é policial. E que a repressão exige mais competência do poder público <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />em geral. Mas não só. Pois se quisermos pensar não apenas na segurança do presente, mas também na esperança de um futuro melhor, temos de buscar meios de fazer com que a violência deixe de ser uma herança inexorável nas comunidades carentes, geralmente à mercê do narcotráfico.
Os instrumentos para isso são mais do que conhecidos: o planejamento familiar, que pode evitar que tantas crianças — com freqüência filhas de mães adolescentes — cresçam em virtual abandono e sejam mão-de-obra facilmente disponível para a bandidagem; e um esforço na área da educação capaz de beneficiar toda a população.
Alcançar o sucesso em ambas as frentes não será nada fácil nem é trabalho de curto prazo, e exigirá do poder público muito mais do que a retórica a que parece limitar-se atualmente a sua ação. Mas está nas mãos do Estado o que a sociedade precisa exigir: a criação de meios para enfrentar e fazer recuar, de maneira permanente, uma atividade criminosa que já ganha contornos inéditos de terrorismo.
* Editorial publicado na edição impressa do jornal O Globo em 12/12/2005
Para saber mais: Ato em solidariedade às vítimas do ônibus 350







