Rio tem participação marcante em feira da 1ª Conseg
Texto produzido pela parceria portal Comunidade Segura e Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Ser responsável por uma das 41 práticas selecionadas para a Feira do Conhecimento em Segurança Pública com Cidadania já é sinônimo de reconhecimento para qualquer instituição. Isso porque os organizadores do evento receberam nada menos que 224 inscrições de experiências voltadas à pacificação social vindas de todo o Brasil. A feira aconteceu paralelamente à 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), em Brasília, de 27 a 30 de agosto.
No caso do Rio de Janeiro, a satisfação em ter um projeto escolhido como modelo para irradiar boas práticas pelo país foi multiplicada. O estado fluminense teve cinco projetos selecionados pela organização feira, e ficou com o terceiro lugar em quantidade de práticas expostas. Grande parte dessa boa colocação deve-se ao desempenho da ONG Viva Rio, que assina três dos projetos selecionados.
O Curso de Aprimoramento da Prática Policial Cidadã (CAPPC/foto) é um exemplo de que as soluções para a superação da violência vivida no estado podem vir da própria corporação. Em parceria com a Oscip Viva Comunidade, o Viva Rio propõe a qualificação de policiais militares do Rio de Janeiro partindo da análise de estudos de casos vividos pelos próprios PMs.
Segundo o expositor do projeto na feira, sargento Francisco Robson, os debates com base na experiência cotidiana dos policiais frisam a importância do respeito ao cidadão. “Afinal, o próprio policial também é um cidadão e tem o direito de ser tratado como tal”, lembra o sargento. “Ao dialogarmos sobre seu trabalho, indicando os erros e acertos, tentamos fazê-los entender a importância da humanização do atendimento à sociedade”, explica Robson.
O CAPPC é desenvolvido desde 2002, e já formou mais de 20 mil alunos entre soldados, cabos e sargentos. “Fizemos o curso voltados aos praças porque eles são o elo de contato entre a corporação e a comunidade”, esclarece Robson, um dos 79 policiais treinados pelo projeto para se tornar agente multiplicador do projeto.
Os cursos, disponíveis em módulos de 20 horas (básico) e 70 horas (formação de soldados), contam com 16 cartilhas e 14 vídeos com temas polêmicos como materiais de apoio. Vale destacar que o conteúdo programático do CAPPC está em sintonia com a Matriz Curricular Nacional para a Formação em Segurança Pública da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça.
Para o sargento, a corporação precisa abraçar o projeto para que todos os policiais tenham oportunidade de se reciclar. “Na nossa formação, temos conhecimento muito básico sobre leis e normas. Além disso, o dia-a-dia leva a uma distorção de práticas. Esse curso propõe uma autoavaliação do que deve ser eliminado, corrigido ou melhorado”, explica Robson, que fez questão de divulgar o projeto a visitantes de todo o país durante a feira. “Se inspirarmos ao menos uma iniciativa semelhante, já será de grande valia”, conclui.
Outros projetos
Outro projeto do Viva Comunidade selecionado para a feira, o Plano Municipal de Prevenção à Violência de Barra Mansa (RJ) é uma parceria com a Prefeitura Municipal da cidade e está em andamento desde 2007. A metodologia de cunho participativo e resultado abrangente acabou atraindo a atenção da comissão julgadora: identificar problemas municipais relacionados à segurança e dividir responsabilidades entre os agentes públicos e a sociedade.
Para Roberta Correa, uma das expositoras do Plano de Barra Mansa, a grande tendência evidenciada no projeto, em sintonia com as demais experiências da feira, é o tratamento da questão da segurança pública em um nível municipal. “Com significativa participação da comunidade, é possível reunir dados qualitativos e quantitativos sobre segurança para a elaboração de diagnósticos mais completos”, explica.
Há dez anos na área, a pesquisadora confessa: “Nunca imaginei que um dia a questão da segurança pública chegaria a esse nível de discussão”. Ela ainda defende que eventos como a feira sejam rotina, e não fatos isolados. “Até mesmo para medirmos os resultados e apostarmos no que funciona”, argumenta Correa.
Outra iniciativa do Viva Rio, a Rede Brasileira de Policias e Sociedade Civil é a mais recente das três iniciativas selecionadas para a feira. O projeto surgiu em meados de 2008, inspirado na Rede Latino-americana. Sua finalidade é aprofundar a reflexão sobre o papel das polícias em nível nacional, com a realização de workshops para a troca de experiências entre os policiais participantes. Os encontros vão acontecer entre outubro e novembro deste ano.
Durante a Feira de Conhecimentos foram firmadas mais de 700 cartas de intenções para posterior transferência de conhecimento e de assistência técnica com os visitantes interessados - somente os projetos do Viva Rio firmaram cerca de 30. Para o coordenador do Viva Comunidade, Tião Santos, o bom desempenho na Feira do Conhecimento reflete o foco da atuação da entidade na área de segurança publica. “Investir na formação policial, articulá-los em rede e apostar na segurança preventiva tem sido prioridade em nossas ações. Ficamos muito felizes e honrados em estarmos na feira da I Conseg”, conclui.
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