Jovens formados para servir

brigada_apagando.jpg“Fomos formados para ajudar e proteger a população de Bel-Air e pressionar as autoridades locais em suas diferentes intervenções na região, a partir do momento em que recebemos um chamado”. Este é o compromisso de Micheline François, um dos membros fundadores da Brigada de Proteção Comunitária do Viva Rio (BPC).

Formados pelos militares brasileiros da Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (Minustah), estes jovens são treinados para responder às demandas da população em primeiros-socorros, em casos de incêndio, inundações, entre outros.

A Brigada foi criada com o objetivo de reforçar as ações e instituições do Estado. Segundo Daniel Delva, responsável pelas relações institucionais do projeto do Viva Rio no Haiti, a prefeitura de Porto Príncipe, o Ministério da Juventude, Esportes e Ação Civil (MJSAC), o Serviço Metropolitano de Coleta de Resíduos Sólidos (MSCRS), o Ministério de Obras Públicas, Transportes e Comunicações e a Polícia Nacional do Haiti (PNH) são os principais parceiros dessa equipe.

“A BPC, que conta com o apoio de organismos do Estado e internacionais já experientes nesse campo de atuação, tem como tarefa sensibilizar a população sobre as oportunidades e ameaças provocadas pelo lixo, além de intervir em períodos de desastre para impedir perdas humanas e reduzir perdas materiais”, explica Delva.

A iniciativa já produziu alguns resultados. Os moradores de Bel-Air hoje compreendem melhor, por exemplo, a necessidade de uma gestão responsável do lixo doméstico graças à campanha de sensibilização da BPC para divulgar o problema e ao trabalho dos seus integrantes que reforçam as ações voltadas para a gestão do lixo no bairro.

myrtho_dentro.jpgMyrtho Ledesir (foto), coordenador da Brigada, conta que entrou na BPC com o objetivo de formalizar as obras que ele tinha o hábito de fazer na área onde mora. “Para mim, é uma maneira de formalizar meu compromisso social anterior em benefício da população. Sou de Bel-Air e me orgulho de fazer parte da Brigada, pois posso me comprometer sem medo com as ações de proteção da minha região, já que as pessoas terão mais confiança na minha experiência”, acrescenta.

Os membros da Brigada foram recrutados entre os habitantes de Bel-Air em função de suas competências e aptidões. A equipe é composta de moradores de diferentes localidades de Bel-Air, incluindo Delmas 2, Fort Touron, La Saline, Fort National. Segundo Jude Pierre, avaliador dos candidatos, a estratégia de formação responde às demandas de uma equipe representativa, que reflete a repartição das zonas de intervenção do Viva Rio.

Com menos de um ano de existência, a BPC já marcou profundamente algumas localidades do baixo Bel-Air. Na noite de 12 de janeiro, os membros da Brigada deram prova de sua solidariedade e compromisso diante da tragédia vivida pela população. Segundos depois do terremoto, ja estavam mobilizados. “Nós trabalhamos 24 horas por dia para ajudar a população impotente diante dessa catástrofe”, recorda Ledesir.

De fato, nos meses que se seguiram ao terremoto, os membros da Brigada não mediram esforços e competência, participando regularmente de campanhas de distribuição de alimentos aos mais vulneráveis por meio do Programa Alimentar Mundial (PAM).

Além da formação recebida pelo Batalhão Brasileiro em primeiros socorros, combate ao fogo, resgate no mar, gestão de conflitos, a Action by Churches Together (ACT Alliance) capacita os integrantes da Brigada em temas como violência de gênero, bem-estar na comunidade, resgate aéreo, comunicação de grupo, entre outros.
 
Myrtho Ledesir manifesta sua satisfação e reitera que a participação da comunidade é fundamental. “Os agentes da Brigada não poderiam fazer bem o seu trabalho sem a participação da população. Vamos estimular a colaboração dos diferentes atores da comunidade e estou convencido de que vamos obter resultados ainda melhores”, afirma, otimista.

O vice-coordenador da Brigada, Seide Marc Jean Mary, acredita que cada bairro vulnerável deve ter sua própria Brigada. “O grupo daria assistência e proteção, além de contribuir com a formação de membros da comunidade para dar respostas rápidas que poderiam salvar vidas”, define.

Três meses depois do terremoto, no dia 26 de abril, um grande incêndio arrasou várias seções de um dos maiores centros comerciais de Porto Príncipe no centro histórico, próximo a Bel–Air. Segundo o diretor geral dos Mercados Públicos, Alain Augustin, o fogo consumiu 15 depósitos e destruiu grande parte do estoque de arroz e de madeira.

A Brigada se apresentou imediatamente no local do incêndio. “Nós comparecemos imediatamente e ajudamos os bombeiros que trabalham sem equipamentos e com uma quantidade insuficiente de água”, conta Morisset Guinson, responsável pela seção de Meio Ambiente da BPC.
 
A Brigada é formada por 31 membros, entre homens e mulheres, representando cada zona do bairro, e tem seu trabalho dividido em quatro aspectos: meio ambiente, saúde, gestão de conflitos e violência doméstica.

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