'Mano dura' não foi eficaz na América Latina

Javier Mayorca *

A partir dessa quarta-feira (11), a capital da Nicarágua será o cenário de um interessante debate sobre as estratégias que os organismos de segurança cidadã e a sociedade civil podem aplicar para controlar a crescente violência criminal por parte de grupos juvenis nos países latino-americanos.

A Conferência Regional Polícia e Juventude é o resultado de um programa promovido pela Rede Latino-americana de Policiais e Sociedade Civil. Nesta oportunidade o evento conta com o auxílio da Polícia Nacional da Nicarágua.

Segundo a coordenadora da Rede, Rachel Maître, serão apresentados os resultados de uma pesquisa sobre os mecanismos de prevenção da violência juvenil aplicados atualmente pelas principais organizações policiais da região. Para ela, uma das premissas das políticas de mano dura contra a delinquência juvenil, em vigor há mais de uma década, "se mostraram ineficientes e inclusive contraproducentes, levando ao reforço e ao melhor armamento dos grupos criminosos."

Desta forma, as pandillas" mexicanas, as maras centro-americanas e as bandas que operam na Colômbia, Venezuela e Brasil mostram cada vez maior organização e capacidade de exercer a violência, alimentada pelo tráfico e pelo consumo de drogas.

Maître indicou que em alguns lugares da região organizações civis e policiais desenvolveram experiências de prevenção do delito e da violência juvenil baseadas na inclusão e na proximidade entre a polícia e a sociedade.

A ideia central é que a juventude pode ser formadora da paz em sua comunidade. Mas tais iniciativas geralmente são pouco institucionalizadas e com escasso alcance geográfico. Até agora, não foi feito um inventário de custos e benefícios. Portanto, afirmou a coordenadora da Rede, "sua influência nas políticas públicas de maior alcance segue debilitada."

Mapeamento de iniciativas

A investigação realizada pela Rede pretendeu inicialmente elaborar um mapeamento das iniciativas policiais para a prevenção da violência juvenil em dez países da região latino-americana.

Estes programas foram analisados e classificados segundo seus padrões ou tipologias. Durante esta reunião será feita uma lista de recomendações, levando em conta o critério dos 65 especialistas procedentes de 14 países.

Esta Segunda Conferência Regional da Rede Polícia e Juventude acontecerá entre os dias 11 e 13 de novembro. Na mesa de abertura estarão Maître e o subdiretor da Polícia Nacional da Nicarágua, delegado geral Javier Maynard; a diretora do Programa Centro-americano para o Controle de Armas Pequenas e Leves do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Eva Sacasa, e Hamyn Gurdián, da organização Claro.

Durante a tarde serão apresentados os resultados das pesquisas. Com apresentação de Roberto Chaves (Brasil), Luisa Arévalo (El Salvador), Daniel Llaury (Perú) e Daniela Berkovitch (Haití).

Na quinta-feira (12) os participantes visitarão o Distrito 3 da polícia de Manágua, e durante a tarde se dividirão em mesas de trabalho para revisar em detalhes a temática das investigações.

Na sexta-feira (13) serão divulgadas as conclusões das mesas de trabalho. As conferências de encerramento estarão a cargo de Eva Sacasa (Pnud); Roberto Sansón ( de Claro), Rachel Maître e Aminta Granera, diretora geral da Polícia Nacional de Nicarágua.

A Rede Latino-americana de Policiais e Sociedade Civil foi fundada em novembro de 2006 no Rio de Janeiro. Seus membros propõem produzir conhecimentos e fomentar um debate que incida sobre as políticas de segurança pública nos países da região.

* Jornalista

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